Um pássaro me hás de dar
Em manhã de pastoreio
ovelhas apriscando
largarás de tuas cismas
e cajado
que um pássaro me hás de dar
quando me amares.
Leve levemente mo trarás
das fontes dos teus olhos
sem nenhum pensamento
sem gesto liberto
a mansidão do teu silêncio
apenas.
À minha face matutina
descerá uma carícia
de pássaro
pousado.
Zila Mamede (1929-1985)
in, Navegos,Ed. Vega, Belo Horizonte, 1978.